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| Como investir |
O uso de warrants como cobertura de risco
O mercado de warrants oferece ao investidor a possibilidade de, não só tomar posições especulativas face a evoluções no activo subjacente, mas também de proteger os seus activos face a instabilidade do mercado, de modo a reduzir a variabilidade dos resultados. À redução da exposição ao risco de subida ou descida dos preços chama-se cobertura (hedging). O hedging é uma técnica que se traduz na assumpção de uma posição no mercado de warrants contrária à detida no activo subjacente.

Para analisar correctamente o efeito dos warrants é importante ter presente a noção de paridade. Paridade consiste no número de warrants equivalentes a uma unidade do activo subjacente, assim, uma paridade de 5/1 significa que são necessários 5 warrants para replicar uma unidade do activo subjacente.

A grande volatilidade dos preços dos activos, faz com que exista interesse em fixar desde o início um preço que garanta um resultado razoável. O objectivo da contratação hoje, do preço máximo, no caso do call warrant, ou mínimo, no caso do put warrant, de uma transacção que só se concretizará no futuro, é o de permitir aos investidores protegerem-se de uma eventual evolução desfavorável dos preços, continuando no entanto a beneficiar com uma evolução favorável desses mesmos preços.

Se o investidor pretende adquirir o activo, poderá entrar no mercado de warrants ao adquirir um call warrant, permitindo fixar um preço máximo de compra.

Exemplo: Um investidor pretende vir a adquirir 2.000 acções do BCP, mas não está seguro que seja o momento certo de o fazer quando a cotação actual está em € 5.86. De qualquer forma, receia que o título se valorize e assim perca a hipótese de comprá-lo a um preço inferior. Admitimos que no mercado existem call warrants do BCP com maturidade de 1 ano, strike de € 6.5 e paridade de 5/1, que custam Eur 0.07. O investidor irá adquirir 2.000 x 5 = 10.000 warrants, correspondendo a um investimento de € 0.07 x 10.000 =     € 700. Através desta compra o investidor assegura um preço de compra futuro máximo (strike: € 6.5). Caso o título se desvalorize, opta por comprar no mercado a um preço melhor, embora perdendo o preço pago pelo warrant.
Se, pelo contrário, o investidor possuir um activo e o desejar vender, poderá entrar no mercado de warrants adquirindo um put warrant, o qual permite fixar um preço mínimo de venda.

Exemplo: O mesmo investidor pode optar por outra alternativa - compra já as acções do BCP, e adquire um put warrant sobre este título a € 5.50. Desta forma, garante desde já este preço como o preço mínimo a que irá vender e mantém todo o ganho resultante de uma valorização do BCP.
Investir como forma de especulação
No entanto, a compra de warrants não tem como único objectivo o hedging. Outra razão para se entrar no mercado de warrants poderá ser a especulação, ou seja, a obtenção de rendimentos extras baseados em determinadas expectativas face à evolução futura dos activos. A especulação é fomentada pelo efeito de alavanca que o uso de warrants permite, pois um investimento inicial baixo permite obter uma exposição a variações no preço do activo subjacente correspondentes a um investimento muito superior no mercado à vista ou de futuros desse activo.

Exemplo: Um investidor considera que o potencial de ganho da Portugal Telecom é enorme e pode optar por tomar uma posição em call warrants, em vez de adquirir a acção. Desta forma, em vez de aquirir 1.000 acções da PT a € 10, investindo € 10.000, com esse montante assume uma posição em warrants da PT com strike de      € 16 a um preço de € 0.13 cada, correspondendo a 10.000 / 0.13 = 76.923 warrants. Se realmente a PT subir para os € 14, o investidor em vez de ganhar (€ 14 - € 10) x 1.000 = € 4.000, viria a ganhar       (€ 0.45 - € 0.13) x 76.923 = € 24.615 (recomendamos a leitura da secção de Sensibilidade e de Estratégias para melhor compreensão).
Um aspecto relevante para quem investe em warrants é a sua liquidez em mercado secundário. Isto porque, quem compra um warrant não está necessariamente interessado em mantê-lo até à maturidade, (aliás, a experiência noutros mercados mostra que, na maioria dos casos de posições especulativas isso não acontece. Não é sequer necessário que o activo subjacente atinga e ultrapasse o preço de exercício para que o investidor no warrant ganhe dinheiro, basta para tal que o movimento do mercado seja na sua direcção.
Exemplo: Um investidor compra um call warrant sobre a PT Multimedia a 3 meses com um strike a € 58 quando o preço de mercado está a € 32. Esse call warrant custa-lhe por hipótese € 0.6. Ao fim de um mês a PT Multimedia subiu para € 45 e o call warrant passou a valer € 1.8. Neste caso, o investidor realiza um ganho de 150% sobre o seu investimento indiferente ao facto de a PT Multimedia nunca chegar aos € 58 (strike).
Extracção de liquidez
Outra possibilidade que o uso de warrants dá é a extração de liquidez, pois o uso de warrants permite replicar a posição no activo subjacente com um investimento muito menor obtendo-se assim liquidez.

Exemplo: O referido investidor já é detentor de 1.000 acções PT , cotadas a € 10, logo um investimento de € 10.000. Pode vender as suas acções no mercado recebendo este montante e criar uma posição idêntica através da compra de call warrants. Admitindo uma paridade de 5/1, o investidor irá adquirir 1.000 x 5 = 5.000 warrants com strike de € 16 a € 0.13, investindo assim apenas € 650. O investidor retém assim o diferencial entre a venda das acções e a compra dos warrants (€ 10.000 - € 650 = € 9.350), o qual é significativo devido ao efeito de alavancagem dos warrants.
Diversificação do risco
Os warrants permitem ainda uma diversificação do risco, quer através da disponibilidade de investir em diversos activos, quer para um mesmo activo a possibilidade que existe de criar diversos padrões de risco, de acordo com as necessidades do investidor (ver secção de Estratégias).

Exemplo: Um investidor detém uma carteira diversificada no PSI 20, mas a mesma tem uma forte componente de acções de novas tecnologias. Ele verifica que acções como a Portugal Telecom, PT Multimédia e a Telecel ocupam cerca de 50% dessa carteira, e que as mesmas têm uma correlação positiva com o que se passa nos E.U.A., nomeadamente com o NASDAQ. Assim, como forma de diversificar o risco, ele poderá comprar put warrants sobre o NASDAQ 100, permitindo-lhe, caso esta correlação realmente exista, recuperar com os put warrants eventuais quedas na sua carteira.
Também é possível, com base num só activo subjacente, criar diferentes padrões de risco, através da combinação de warrants com diferentes maturidades e diferentes preços de exercício os quais permitem diferentes níveis de alavancagem. Quanto mais afastado o preço de exercício estiver dos níveis correntes do mercado e menor a maturidade do warrant maior o seu efeito de alanvacagem. Este assunto é abordado de uma forma mais profunda nas secções seguintes.

Exemplo: O investidor está optimista em relação à PT a médio e longo prazo, mas as incertezas quanto à evolução a breve trecho são grandes. O investidor pode optar por comprar put warrants com uma maturidade curta e assumir uma posição longa em call warrants com uma maturidade e strike superiores. Desta forma, beneficia quer da queda no curto prazo quer da posterior recuperação da acção.
Outra possibilidade criada pelo mercado de warrants é o acesso a títulos de mercados internacionais que terão warrants cotados na Bolsa de Lisboa, permitindo assim a um investidor criar uma exposição a esse mercados.
 
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